Como Surgiu o Naturismo

No século XIX, com o triunfo da Revolução Industrial e o início da deterioração da vida nas grandes cidades, irromperam tentativas individuais, na Europa e nos Estados Unidos, de adoção da nudez para reinserir o homem na natureza. Em 1903, Paul e Maria Zimmerman fundaram o Freilichpark (Parque da Luz Livre ) Klingberg, na costa do Mar Báltico, para poderem viver, em família, a Freikörperkultur (cultura livre do corpo). Aos poucos, a família Zimmerman passou a receber pedidos de pessoas, de diferentes cidades e, mesmo do exterior, desejosas de participar da experiência nudista no centro que se tornaria um marco na história do moderno movimento naturista. Note-se que Klingberg  é o nome de um lugarejo nas imediações do sítio dos Zimmerman.

                  Essas duas iniciativas marcam o início do naturismo no mundo como um dos movimentos mais bem sucedidos do século XX. Hoje, prestes a completar 100 anos, congrega milhões de adeptos no mundo inteiro. Sou de parecer que um dos segredos do êxito do naturismo reside no caráter laico do movimento. Ele não nasceu no seio do cristianismo, como uma tentativa de recuperar o paraíso perdido, nem se afirmou como desafio à doutrina das igrejas católica ou protestantes. Esse caráter laico do naturismo evidentemente não é obstáculo para o ingresso ou adesão de cristãos a clubes ou praias, onde é praxe a nudez social, já que não há incompatibilidade entre naturismo e cristianismo.

                  O naturismo moderno, nesses quase 100 anos de existência, ostenta uma excelente organização com a Federação Internacional de Naturismo (INF), as federações nacionais em diversos países, como a Federação Brasileira de Naturismo (FBrN). Deve-se à INF a seguinte definição: “O naturismo é uma maneira de viver em harmonia com a natureza, caracterizada pela prática da nudez pública, que tem por objetivo favorecer o respeito de si mesmo, o respeito pelos outros e pelo meio ambiente.” (1973)

Texto de Roberto Figurelli, extraído do livro Praia da Galheta 2002, Sônia T. Felipe et.al., página 51.